terça-feira, 5 de fevereiro de 2008




O silêncio esmaga-me


Oprime-me a vontade


É impressionante a força do vazio

Busca tentáculos que me asfixiam


Ganha intensidade na inércia que me rodeia


E é aqui que me apercebo
a verdade atinge-me
Nua e crua!

vagueio

perdi-me algures


ao longo deste percurso

terça-feira, 13 de novembro de 2007



Amar é respirar,


absorver e sorver sensações, sons, odores.


Amar é observar as pequenas coisas do mundo que nos alegram o coração e que nos deixam um brilho no olhar.


Amar é o florescer duma flor,


o cair delicado da água transformada em chuva,


é a tempestade que desaba e nos enche o corpo de arrepios e nos intoxica os sentidos.


Amar é.............................................................


dar e partilhar sem esperar receber!




Beijinhos brisa «intensa» de palavras!

sábado, 10 de novembro de 2007

Passado



Voltaste para me assombrar
tu
que jazias inerte
enterrado em lágrimas
e angústias
eregeste-te em sombras
e envolveste-me
derrubaste
as barreiras erguidas
transformadas agora
em diáfona poeira
sugaste-me as decisões
que abateram
como um castelo de cartas

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Perdi-me



perdi-me


deixei-me envolver por amarras


que suaves e ternas


me aprisionam


absorvi sensações


embrenhei-me em sentimentos


que neste palco


me empurram


na tua direcção


não consigo deixar de pensar


que somos meras personagens


expectantes do amanhã


instrumentos das nossas próprias decisões


prestes a escrever uma pauta


quem sabe harmoniosa


com muitos rascunhos até


segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Querida Eärwen Tulcakelumë



Querida Eärwen Tulcakelumë obrigada pela distinção!

Honestamente não sei se a mereço. Sou apenas alguém que desabafa em palavras o que sente, alguém que de cada vez que as emoções a envolvem e começam a transbordar necessita de extravasar esses sentimentos.

No fundo apenas desabafo. É isso que os meus textos são: um conjunto de palavras pleno de desabafos.

Obrigada também pelas palavras tão amáveis que aqui retribuo.

Quanto aos blogs que considero impares, esses estão todos nomeados ali ao lado. Do lado esquerdo do meu blog! Haverá muitos mais porventura, mas que eu ainda não tive o prazer de conhecer. Um dia quem sabe.......

Um abraço de amizade a todos e um bem haja pela partilha, gargalhadas e amizade que nos dedicam.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Querida Sereia azul, estou atrasada no desafio que me lançaste, mas andei afastada destes meandros.
Mas como dificilmente os recuso e mais vale tarde que nunca, cá vai!
Também como tu, em diversas ocasiões encontro-me a ler mais que um livro de cada vez.
Esta é uma delas

Na página 161 do livro «Almas cinzentas, de Philippe Claudel:

«O quarto de Destinat era parecido com ele. Mudo e frio, criava um certo embaraço, ao mesmo tempo que infundia um respeito forçado. O sono de Destinat transmitira-lhe uma distância incalculável que o tornava um sítio pouco humano, condenado para a eternidade a permanecer impermeável ao riso, à alegria, ao bulício da felicidade. A própria arrumação fazia pensar em corações mortos»

Na página 161 do livro «O livro dos amores risiveis, de Milan Kundera:

«E quando a massagem acabou e ele se pôs de pé para sair da banheira, a massagista de pele húmida pareceu-lhe de uma beleza sã e saborosa, e o seu olhar tão humildemente submisso, que teve vontade de se inclinar na direcção longínqua onde adivinhava a mulher. Pois parecia-lhe que o corpo da massagista estava de pé sobre a grande mão da actriz e que esta mão lha entregava como uma mensagem de amor, como uma oferenda.»
Na página 161 do livro « A mulher foca, de Kathryn Harris:
«Como o acordar de um sonho: durante um momento está à sua frente, intacto, com todas as facetas resplandecentes de significado. Depois inclina-se para a frente, dorido, hirto, e ernormes pedaços começam a cair e perdem-se, não resta nada, nada a que se agarrar, nada que possa conservar»
Quanto a lançar o desafio.
Hum.......
Lanço-o a todos os que me visitam e que como eu adoram ler e envolver-se em palavras que nos embalam e aquecem. Palavras que nos chocam e abrem os olhos. Palavras que nos retemperam de força e ânimo para cruzar este oceano que é a vida. Palavras que nos transformam num cruzeiro que rompe fronteiras, que absorve sensações, magias, ilusões e desilusões!

Aqui


aqui

sentada

na solidão do meu quarto

penso em ti

aqui

onde os objectos me lembram de ti

a almofada perfumada

que abraçavas enquanto dormias

a meia espalhada

ali

sozinha

abandonada

perdida

olha-me triste

tão triste

não sei do par

pede-me ajuda não consigo

Peço ao tempo que pare

não que volte atrás

apenas que pare!

quero sentir o teu cheiro

o calor que o teu espaço ainda emana

quero perpetuar este momento

guardar cada particula

cada odor

cada palavra

quero absorver este momento

para sempre

segunda-feira, 9 de julho de 2007


E então desabou sobre mim

uma tempestade de transparências

que me deixou

cheia de certezas

uma ténue luz

abriu brechas

calmamente

insistentemente

sem usurpar espaços

começou

a quebrar o gelo

transformou

a pureza do branco

numa morna bruma

que me envolveu

fortaleceu-me

e

levou-me em braços

para outras paragens

abriu-me horizontes

que julgava perdidos

portas

que julgava fechadas

e

pintou de cores

a minha caminhada

sábado, 30 de junho de 2007


Aguardo-te lá longe

ali

onde os sonhos se abraçam num rio de esperança

ali

onde o tempo se toca

onde o espaço se sente

Não vieste a mim bem sei

e eu ainda

Espero por ti

ali

lá longe

envolta em sementes de dor

num ninho de angústia deitada

Espero por ti

ali

lá longe

sem nunca ficar cansada

quarta-feira, 27 de junho de 2007


Entro em casa e o silêncio envolve-me
Já não ouço a música das tuas gargalhadas
a poesia das tuas palavras abandonou-me
dissiparam-se em simples recordações
elas
são seiva
e dela me alimento até ao teu regresso
consigo sentir-te em cada canto
a carícia do teu toque
qual relâmpago que me percorre o corpo
é tão forte a sensação
que perdura
nela mato a saudade
nela encontro forças
para esperar-te


terça-feira, 26 de junho de 2007

Desafio 4

Ora muito bem!
Toca a cumprir o desafio lançado pelo meu amigo fénix.

3 livros de referência na minha vida

A mãe de Máximo Gorki

  • O movimento operário na União soviética no século 19. A Força duma mãe que luta e defende o filho
A paixão de Sacco e Vanzetti de Howard Fast

  • Uma história verídica, reflexo da intolerância da sociedade norte americana do século 19 que acusa e condena à morte dois imigrantes italianos. São inocentes mas são considerados culpados de assalto e assassínio e tudo porque são «diferentes e supostamente comunistas»
O Guarda da praia de Maria Teresa Maia Gonzalez

  • A doce história duma mulher que se encontra perdida e que acaba por se encontrar graças a uma criança (o Dunas)
desta autora tenho também de destacar a Lua de Joana

  • «Uma história que nos faz pensar na forma em como muitas vezes relegamos para segundo plano aquilo que é realmente importante na vida. Um livro que nos alerta para a importância de estarmos atentos a nós e aos outro»
3 livros que li recentemente

O clube das sobreviventes de Lisa Gardner

A cor do céu de James Runcie

  • Um livro que nos mostra a diferença entre ver e olhar
O último Verão em Glenmore de Jennifer Donnely

  • Um a escrita envolvente que nos cativa da primeira á última página.

3 livros que estou a ler ou na mesinha de cabeceira

A Ilha de Victoria Hislop

  • Uma jovem que se sente perdida e que sente necessidade de conhecer a história da família. Dirige-se a Creta, terra da mãe, para descobrir tudo àcerca desse passado. Uma viagem que a irá ajudar a resolver o seu futuro
Almas Cinzentas de Philippe Claudel

  • «Uma prosa fluída, matizada com as cores da poesia e a ousadia do terror, um romance que em jeito de thriller toca o universal para revelar o ser humano em toda a sua fragilidade e grandiosidade»
Inventar a solidão de Paul Auster

Existem tantos outros que me marcaram, tantos que quero reler e ler.... tantos
Quanto a lançá-lo a outros.....
Lanço-o a todos os que me visitam
lanço-o a todos de adoram ler

quinta-feira, 21 de junho de 2007


há instantes que baloiçam
suprimem mágoas
desfazem lágrimas quentes e salgadas
adormecem-nas em sorrisos de doce alegria
há instantes que baloiçam
destilam esperança
despertam-nos para o amor
exalam magia
envolvem-nos
em cálida inocência
e fazem-nos acreditar
que podemos voar nas asas da ternura
libertam-nos a alma
aprisonando-a em sensações
há instantes que baloiçam

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Tenho ciúmes
da água que te percorre o corpo
da chuva
que cai e te seduz
tenho ciúmes
da borboleta que risca os céus
e capta a tua atenção
tão livre, inocente e pura
tenho ciúmes
da música que te entra pelos ouvidos
e toca a tua alma
tenho ciúmes
do odor que a mimosa
lança e te envolve
da côr que o girassol
liberta
como eles quero ser
clave de sol que te atrai
perfume que te inebria
o nascer do sol que te desperta
o pôr do sol que te afaga
constelação de estrelas que te guia

O mimo «Destaque cupido fonte de amor» foi-me atribuido pela http://omeugirassol.blogspot.com/ .

Como tenho de nomear mais 10 blogs, que sejam fonte de amor cá vai

http://baraka-spirit.blogspot.com/


http://mardepalavras.blogspot.com/


http://no-silencio-das-palavras.blogspot.com/


http://velasardemsempreateaofim.blogspot.com/


http://esbocodepalavras.blogspot.com/


http://japonesembraile.blogspot.com/


http://magodossonhos.blogspot.com/


http://lady-phoenix.blogspot.com/


http://ondulacoesdaalma.blogspot.com/


http://papoilasonhadora.blogspot.com/

Havia muitos outros, tantos outros a merecê-lo. Blogs que me deixam renovada a cada leitura e atordoada por verificar que há tanto talento. Obrigada a todos por isso. Um bem haja!!

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Atrevo-me (Esperança o oitavo pecado mortal)


atrevo-me a esperar

um doce e quente amanhã

acabado de estoirar

qual milho perfumado

em douradas pipocas

atrevo-me a esperar

um rio de esperança

onde navegar

empurrada

por suave brisa de amor

atrevo-me a esperar

mãos que me envolvem o corpo

que nem tépidas águas

em frémitos que destilam

poderosas sensações

atrevo-me a esperar

um silêncio de palavras

cálido e ternurento

oco de gritos

e desespero

vazio de dor

atrevo-me a esperar

um amanhã

repleto de sonhos
cheio de cor e sabor

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Quero


quero sorver todo o amor que me dás

abraçar a tua alma

mergulhar no teu coração

partilhar-me

deixar-me de esconder

em angústias

e receios

que tolhem

quero abraçar o desconhecido

navegar no amanhã

quero ser

brisa suave a percorrer-te o corpo

luar cálido e doce

quero ser

terna magia

exalar sonhos
saborear cada instante
espremê-lo como se de laranja se tratasse

quero

percorrer a estrada a dois

de mãos dadas

quero ser o teu porto de abrigo

a tua âncora

de alma lavada

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Amigo cusco


Amigo cusco!

As lágrimas escorrem-me pelo rosto em catadupa, ininterruptas! As lembranças que o seu lindissimo texto me trouxe!

Os kms diários a pé, ao sol, á chuva, sob tempestades. Não havia dinheiro para a camioneta. Uma hora de manhã a passo corrido em direcção à escola, e o mesmo ao fim do dia. Iamos sempre em grupo! Eu, o Daniel, a Albertina, o Joaquim Agostinho.....

Havia dias em que chegava encharcada a casa e a minha mãe só dizia: «O minha filha, vai, seca-te» e continuava na sua rotina diária, sete dias por semana, no tear.

Constipava frequentemente, semanas a fio.

O guarda chuva não chegava cedia sob o peso dos 5 kms diários.

Mas chegava a casa, e lá dizia a minha mãe:«Vai minha filha tens a toalha pronta seca-te, veste roupa quente». E continuava a labutar. Tecia, como ainda tece!

Nos dias de calor intenso e como encurtavamos caminho pelos campos e montes, colhiamos uvas, cerejas e fugiamos quando eramos apanhados.

Molhavamo-nos nos riachos, bebiamos daquela água muitas vezes, matavamos a sede. Havia alturas em que se encontravam lá sacos de tremoços, a curtir em água corrente e lá enchiamos as mãos.

No Outono eram as castanhas e os marmelos. Trepava aos ramos e colhia os frutos com um odor tão forte, uma delicia. Uma polpa doce, muito doce, não como os de agora. Foi aqui que descobri ser alérgica ao pó dos castanheiros. Fiquei linda! Que comichão.

Dinheiro?

Não havia! Nunca soube o que era mesada. Cosia sapatos para ajudar em casa, enchia canelas para o tear. Era eu quem fazia o jantar!

Roupa?Dada e usada! vinha de França. Não havia dinheiro para estes luxos.

Era tudo destinado à escola. Minha filha diziam-me eles, os meus pais, tens oportunidade, aproveita. Estuda!

Os meus tios traziam toneladas de roupa para escolher!

Invariavelmente e como era «grande» para a minha idade, ficava com roupa que não se adequava à minha faixa etária. E era gozada.
Este passado fez de mim o que sou hoje!
Este esforço colectivo de pais e filhos ensinou-me e muito. Lutar por aquilo que se quer.
Nos dias de hoje já não é bem assim.
Os jovens têm a vida facilitada! É Ipods, telemóvel, leitores de cd..... Chiça.
Tive o meu primeiro rádio com 16 anos, comprei-o com o meu dinheiro, fruto do meu suor a coser sapatos. Só conheci um gira discos com 19 anos. Deste então vivi 13 anos, apenas mais 13 anos.
Não tive uma infância ou adolescência fácil. Mas não trocava!

Se sou quem sou e como sou, devo tudo a isto.

E não o trocava por nada!Por nada!

terça-feira, 29 de maio de 2007

Em tempos


flutuavas

vagueavas

por sombras

alheio ao espaço

e ao tempo

sobrevivias apenas

e é nesse instante

que me encontras

qual barco encalhado

fustigado

por ventos

e tempestades

ignorante

das feridas que nem madeira apodrecida

que me empurravam

para as profundezas

é então

que com a tua suave brisa

me socorres

encaminhando-me

ternamente

em direcção á margem

oxigenas-me as feridas

que começam a sarar

lentamente

muito lentamente

hoje

já não sou

barco encalhado que se afunda

sou um veleiro

de madeira forte

que veleja

ao sabor da tua brisa

e tu?

tu?

já não vagueias

em sombras

mas antes

em raios de luz

segunda-feira, 21 de maio de 2007


perdemos-nos

algures

ao longo da caminhada

todos queles momentos

de intensa mágoa

em que imperava o silêncio

onde se esperava

que a tormenta passasse

como se de tempestade tropical se tratasse

maculou toda a cumplicidade

infectou todo o carinho

feriram de morte o nosso amor

Agora

somos como os gatos

que lambem as feridas

e aguardam a cura

Chegará a tempo?

Não teremos adiado demais o amanhã?

Onde estão os sonhos a dois?

os gestos simples?

a caricia

o afago

a palavra amiga?

Terão ficado num limbo?

Num labirinto?

Qual a porta de entrada?

Onde colocamos a chave?

Qual o caminho?


O que fazer para ultrapassar todas estas sombras


estas reminiscências


que nos apartam?