quinta-feira, 31 de maio de 2007

Quero


quero sorver todo o amor que me dás

abraçar a tua alma

mergulhar no teu coração

partilhar-me

deixar-me de esconder

em angústias

e receios

que tolhem

quero abraçar o desconhecido

navegar no amanhã

quero ser

brisa suave a percorrer-te o corpo

luar cálido e doce

quero ser

terna magia

exalar sonhos
saborear cada instante
espremê-lo como se de laranja se tratasse

quero

percorrer a estrada a dois

de mãos dadas

quero ser o teu porto de abrigo

a tua âncora

de alma lavada

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Amigo cusco


Amigo cusco!

As lágrimas escorrem-me pelo rosto em catadupa, ininterruptas! As lembranças que o seu lindissimo texto me trouxe!

Os kms diários a pé, ao sol, á chuva, sob tempestades. Não havia dinheiro para a camioneta. Uma hora de manhã a passo corrido em direcção à escola, e o mesmo ao fim do dia. Iamos sempre em grupo! Eu, o Daniel, a Albertina, o Joaquim Agostinho.....

Havia dias em que chegava encharcada a casa e a minha mãe só dizia: «O minha filha, vai, seca-te» e continuava na sua rotina diária, sete dias por semana, no tear.

Constipava frequentemente, semanas a fio.

O guarda chuva não chegava cedia sob o peso dos 5 kms diários.

Mas chegava a casa, e lá dizia a minha mãe:«Vai minha filha tens a toalha pronta seca-te, veste roupa quente». E continuava a labutar. Tecia, como ainda tece!

Nos dias de calor intenso e como encurtavamos caminho pelos campos e montes, colhiamos uvas, cerejas e fugiamos quando eramos apanhados.

Molhavamo-nos nos riachos, bebiamos daquela água muitas vezes, matavamos a sede. Havia alturas em que se encontravam lá sacos de tremoços, a curtir em água corrente e lá enchiamos as mãos.

No Outono eram as castanhas e os marmelos. Trepava aos ramos e colhia os frutos com um odor tão forte, uma delicia. Uma polpa doce, muito doce, não como os de agora. Foi aqui que descobri ser alérgica ao pó dos castanheiros. Fiquei linda! Que comichão.

Dinheiro?

Não havia! Nunca soube o que era mesada. Cosia sapatos para ajudar em casa, enchia canelas para o tear. Era eu quem fazia o jantar!

Roupa?Dada e usada! vinha de França. Não havia dinheiro para estes luxos.

Era tudo destinado à escola. Minha filha diziam-me eles, os meus pais, tens oportunidade, aproveita. Estuda!

Os meus tios traziam toneladas de roupa para escolher!

Invariavelmente e como era «grande» para a minha idade, ficava com roupa que não se adequava à minha faixa etária. E era gozada.
Este passado fez de mim o que sou hoje!
Este esforço colectivo de pais e filhos ensinou-me e muito. Lutar por aquilo que se quer.
Nos dias de hoje já não é bem assim.
Os jovens têm a vida facilitada! É Ipods, telemóvel, leitores de cd..... Chiça.
Tive o meu primeiro rádio com 16 anos, comprei-o com o meu dinheiro, fruto do meu suor a coser sapatos. Só conheci um gira discos com 19 anos. Deste então vivi 13 anos, apenas mais 13 anos.
Não tive uma infância ou adolescência fácil. Mas não trocava!

Se sou quem sou e como sou, devo tudo a isto.

E não o trocava por nada!Por nada!

terça-feira, 29 de maio de 2007

Em tempos


flutuavas

vagueavas

por sombras

alheio ao espaço

e ao tempo

sobrevivias apenas

e é nesse instante

que me encontras

qual barco encalhado

fustigado

por ventos

e tempestades

ignorante

das feridas que nem madeira apodrecida

que me empurravam

para as profundezas

é então

que com a tua suave brisa

me socorres

encaminhando-me

ternamente

em direcção á margem

oxigenas-me as feridas

que começam a sarar

lentamente

muito lentamente

hoje

já não sou

barco encalhado que se afunda

sou um veleiro

de madeira forte

que veleja

ao sabor da tua brisa

e tu?

tu?

já não vagueias

em sombras

mas antes

em raios de luz

segunda-feira, 21 de maio de 2007


perdemos-nos

algures

ao longo da caminhada

todos queles momentos

de intensa mágoa

em que imperava o silêncio

onde se esperava

que a tormenta passasse

como se de tempestade tropical se tratasse

maculou toda a cumplicidade

infectou todo o carinho

feriram de morte o nosso amor

Agora

somos como os gatos

que lambem as feridas

e aguardam a cura

Chegará a tempo?

Não teremos adiado demais o amanhã?

Onde estão os sonhos a dois?

os gestos simples?

a caricia

o afago

a palavra amiga?

Terão ficado num limbo?

Num labirinto?

Qual a porta de entrada?

Onde colocamos a chave?

Qual o caminho?


O que fazer para ultrapassar todas estas sombras


estas reminiscências


que nos apartam?



lá longe


deambulo por sonhos

volátil

emprenho-me em cores

destilo odores

partilho sabores
porém

percorro trajectos pontilhados de silvas

mas lá longe

Ah!

lá longe

avisto protectoras faias

robustas

frondosas

plenas de vida

enceto caminho

na esperança de as alcançar

é longa a caminhada

tropeço

arranho-me

caio

mas levanto-me

sei que lá longe

muito longe

Ah!

lá longe

aquelas copas são rompidas por raios de luz

tenho de lá chegar

quero sentir o seu afago

abraça-los

sentir o seu perfume
o seu calor

Tão longe

Ah!

Tão longe

anoitece rápido

o frio envolve-me

tenho tanto sono
E elas lá longe
tão longe

sou apenas cansaço

puro

e insano

cansaço

sábado, 19 de maio de 2007

Embalo-me em
sombras que
abraçam o silêncio
alimentam-se de dores e
desesperos
Encurralam-me

criam tentáculos
que nos afastam

são folhas caídas e apodrecidas

enegrecem a alma

eregem obstáculos de insegurança
que nos dominam

Quero fugir-lhes
Abandonar-me ao prazer da descoberta

quero ser a água que corre

sentir o calor do sol

quero navegar no vento
embarcar sem amarras

ser palavras soltas

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Quero


Quero afundar-me nos teus braços
tactear emoções
fundir-me onde a terra e o céu se encontram
explodir em sensações
polvilhadas de doces fragâncias
Quero
absorver a tua essência
sonhar livre de preocupações
lançar-me
nas águas turbulentas da paixão
arriscar tudo

arriscar perder
na ânsia de conseguir tudo

quero escapar dos medos

que me afogam

que me aprisionam

quero soltar as amarras

ser banhada pelo sol do teu sorriso

ser aquecida pela tua ternura
Quero navegar no teu corpo
fluir no teu coração

segunda-feira, 14 de maio de 2007


Navego

entre brumas

nelas procuro

sonhos perdidos

aguardo silêncios

encontro gritos

a névoa

adensa-se

e envolve-me

não vejo

tenho frio

encontro-me perdida

despida

nua de sentimentos

vazia

atolo-me

em areias movediças

que me afogam

procuro-te

e

enceto

nova caminhada

mas estou cansada

os grilhões

apertam o cerco

aprisionada, desisto

abandono-me

onde estás?

Porque me deixaste aqui?

sábado, 12 de maio de 2007


Aconteça o que acontecer numa relação seja de amizade, passional ou amorosa todos os momentos de êxtase em que basta sentir, em que não é preciso falar permaneçarão sempre como tesouros.
Todos estes momentos incolumes onde as palavras não imperam,
todos estes momentos de suave empatia e cumplicidade
Acompanhar-nos-ão, fluirão em nós sempre que respirarmos, sempre que sorrirmos.

São eles que nos dão ânimo e são eles que apesar de tudo nos mostram que o amor é sempre possível, e está a espaços sempre á nosso espera!

Basta abrir o coração!

Por dificil que seja e seja por que razão for!

Basta abrir o coração e o amor florirá e envolver-nos-á num halo de magia, doçura e ternura.

E frutificará em doce paixão que nos adocicará em momentos amargos.
Aquecer-nos-á nos dias frios de inverno
Abraçar-nos-á num suave manto que nos manterá alimentados
matará a sede
e adormecerá as dores

quinta-feira, 10 de maio de 2007


Alertada pela Lyra, fui visitar o blog http://fasesdaluacheia.blogspot.com/ que me deixou incrédula, estupefacta. Neste blog há uma denúncia dum crime de exterminio em massa de cães que teve lugar no canil de Beja!

Assim, e como estou horrorizada, chocada com tamanha demonstração de barbárie venho também eu deixar um alerta na esperança de que estes ecos de revolta sejam levados numa torrente de força e abram olhos, ouvidos e corações para que se faça justiça e responsabilize os perpretadores.

Não posso fazer mais nada a não ser deixar uma catadupa de lágrimas horrorizadas com tamanha falta de respeito pela vida!
Esta flor fica como homenagem a todos os cães assassinados!

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Não me acordem


Trêmula
Inspiro silêncios
fantasio
afasto-me
das dores
que agrilhoam o mundo!
Aqui
vivo sonhos
perdidos.
fundo-me na paisagem
e deixo-me ir!
embalada,
navego sem medos
nem angústias
Aqui respiro
e retempero forças
para a árdua batalha
que é a VIDA

terça-feira, 8 de maio de 2007

coração em silêncio
que
grita amordaçado
que palpita
por doçura
por palavras
que anseia
pelo desbravar
de terreno
por estradas
lisas
sem solavancos
sem socalcos
que luta
contra barreiras criadas
numa tentativa de protecção
coração fechado
em melancolia
e nostalgia
coração que deseja
coragem
para acordar
e navegar
calmamente
nas ondas do amor
que antecipa
voar
nas asas do desejo
e acordar num leito
suave e perfumado
impregnado
de carícias
galopantes
e inebriantes
coração
tolhido de amor
que espera
espera
e desespera

domingo, 6 de maio de 2007

6 de Maio


antecipas


ouves


sentes


sorris


impregnas o ambiente


com a doçura da tua gargalhada


embalas-me


ainda hoje


mesmo na distância


vences essas


amarras


kilométricas


com a emoção da tua voz


não estás presente


mas sinto-te


sempre


ouço-te mesmo que não fales


Adoro-te mãe


Adoro-te

quinta-feira, 3 de maio de 2007


Que esse dia imaginário acabe por chegar

e se transforme em realidade

apenas com uma pequena alteração:

com a existência de vento

para dizer a quem não sabe

e a quem anda iludido

que o dia sonhado chegou.

Que sopre veloz

e com força

para acordar

os adormecidos.

Que corte amarras

e una sonhos e corações.

Enquanto não chega

cinjamo-nos

à velocidade do pensamento,

à força da expressão

e à vontade indomável da mudança!


Amigo Cusco, como sempre as suas palavras provocam algumas, se bem que parcas das minhas. Decididamente é outro dos blogs que me faz pensar! Obrigada por isso!

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Desafio do seria

Bem caro rafeiro, cumpri a minha parte! Infelizmente não tenho nem o teu engenho nem a arte de tornar interessante a leitura!

Se eu fosse uma hora do dia, seria as 16.30 (supostamente deveria sair a essa hora, mas nunca acontece e a minha vida é sempre assim, aquilo que deveria ser não é ;).
Se eu fosse um astro, seria a Lua.
Se eu fosse um móvel, seria uma cama (adoro dormir)
Se eu fosse um pecado, seria a gula....
Se eu fosse uma árvore, seria um plátano (secular e forte, não que eu o seja)
Se fosse uma fruta, seria uma maça, um abacaxi, cerejas, uvas, figos..... Hum era uma salada de frutas...
Se eu fosse uma flor, seria uma violeta ou uma mimosa, não me consigo decidir (suaves, odorificas, selvagens e fragéis)
Se eu fosse um clima, seria o Outono ou alternativa um bem romântico :P (Ai esta lingua portuguesa e as suas interpretações dúbias ;)
Se eu fosse um instrumento musical, seria um violino
Se eu fosse um elemento, seria água, se te referes a grupos tb seria dos Queen ou dos Coldplay ( já deves ter reparado que sou mt indecisa)
Se eu fosse uma cor, seria preto ou em alternativa o azul: FCP :P
Se eu fosse um animal... bem, seria uma mistura de lobo, gato, chita, cão, golfinho, cavalo e pantera (um achado)!
Se eu fosse um som, seria o da água a cair.
Se eu fosse música, seria «enjoy the silence».
Se eu fosse estilo musical, seria rock ou então jazz (quente e envolvente).
Se eu fosse um sentimento, seria solidão...
Se eu fosse um livro, seria «Rebeca» de Daphne du Maurier.
Se eu fosse uma comida, seria um bom cozido à portuguesa
Se eu fosse um lugar, seria o Marão
Se eu fosse um gosto, seria côco. Adoro, salivo só de pensar nele...
Se eu fosse um cheiro, seria cedro, doce e apimentado, suave e inebriador.
Se eu fosse uma palavra, seria amanhã...
Se eu fosse um verbo, seria condicional
Se eu fosse um objecto, seria um livro.
Se eu fosse peça de roupa, seria umas calças.
Se eu fosse parte do corpo, seria os lábios ou os olhos.
Se eu fosse expressão facial, seria dúvida.
Se eu fosse personagem de desenho animado, seria a Abelha Maia (nostalgia de miúda na certa), ou a Ana dos cabelos ruivos ( não n sou ruiva) ou a Bia uma pequena feiticeira (estarei a fazer batota? não tenho culpa, não me consigo decidir).
Se eu fosse filme, seria o paciente inglês
Se eu fosse forma, seria de bolos ;), se te referias a outra forma, seria oval (estilo cabeça do divinal Hercule Poirot)
Se eu fosse número, seria o treze.
Se eu fosse estação, seria a de Amarante, ou no outro sentido seria o: Outono.
Se eu fosse uma frase, seria “Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti!”

Bem desafio concluído, resta-me passa-lo á Lyra.

Abrir mão

Em muitas circunstâncias da vida

há que abrir mão

de alegrias

amores

sabores

sons

sensações tacteis

Resta-nos a esperança

de que essa enxurrada de abdicações

nos seja devolvida

como se dum ciclo de água

se tratasse